Quase todo investidor com patrimônio relevante tem recursos em mais de uma instituição.
Um banco de relacionamento antigo, a corretora onde começou a investir, a previdência contratada pela empresa,
a conta aberta por causa de uma oferta específica. Cada uma dessas decisões fez sentido no dia em que foi tomada.

O problema não é ter conta em vários lugares. É que ninguém olha para a soma.

O que a dispersão esconde

Concentração que não aparece

Três instituições diferentes podem recomendar, cada uma, uma exposição de 20% a um mesmo setor,
a um mesmo tipo de crédito ou a um mesmo emissor. Isoladamente, cada carteira parece diversificada.
Somadas, elas podem produzir uma concentração que nenhum dos três recomendaria se enxergasse o todo.

Esse é o risco mais comum e o mais difícil de perceber, porque cada extrato, sozinho, parece razoável.

Liquidez que não bate

Cada instituição vê apenas a sua parte, e por isso cada uma dimensiona uma reserva de liquidez para a fatia que enxerga.
O resultado frequente é uma reserva total muito maior do que a necessária, com um custo de oportunidade relevante
carregado por anos sem que ninguém tenha decidido isso.

Custos que ninguém soma

Taxa de administração aqui, taxa de custódia ali, taxa de carregamento em um plano de previdência antigo,
spread embutido em uma operação estruturada. Cada linha parece pequena. O total anual, somado, costuma surpreender
quem nunca fez a conta.

Decisões que se anulam

Não é raro que uma instituição reduza a exposição a determinada classe na mesma semana em que outra a aumenta.
As duas decisões podem estar tecnicamente corretas dentro do escopo de cada carteira.
No conjunto, elas se cancelam, e o cliente pagou custo de transação nas duas pontas para ficar onde estava.

Por que isso acontece

Não é falha de competência. É uma consequência natural da estrutura: cada instituição responde pelo que administra
e enxerga apenas a informação que tem. Ninguém é responsável pelo conjunto, porque o conjunto não é o escopo de ninguém.

A pessoa que teria a visão completa é o próprio investidor, que normalmente não tem tempo,
não tem uma forma prática de consolidar os dados e não escolheu ter esse trabalho.

O que muda quando alguém olha o conjunto

Consolidar não significa necessariamente transferir tudo para um lugar só. Significa colocar as informações relevantes
na mesma folha e responder três perguntas que, separadamente, não têm resposta:

  • Como o patrimônio total está distribuído entre classes de ativo?
  • Quanto está disponível em cada prazo?
  • Qual é o custo anual somado de tudo isso?

São perguntas simples. A dificuldade não está em respondê-las, está em ter os dados juntos.
Na prática, é o exercício que costuma revelar mais oportunidade de melhoria do que qualquer troca de produto.

Consolidar não é centralizar

Vale separar duas coisas que costumam ser confundidas.

Centralizar é mover recursos para uma única instituição. Pode fazer sentido, pode não fazer,
e é uma decisão que envolve custo, tributação, prazos e conveniência.

Consolidar é enxergar o conjunto, independentemente de onde cada parte esteja.
É uma decisão de informação, não de movimentação, e ela vem antes.

Quem consolida primeiro decide melhor sobre centralizar depois, inclusive decide melhor por não centralizar.

Um exercício para fazer sozinho

Se você quiser começar por conta própria, três passos resolvem boa parte:

  1. Liste em uma planilha todas as posições, por instituição, com o valor atual de cada uma.
  2. Classifique cada linha por classe de ativo e por prazo em que o recurso pode ser necessário.
  3. Some as taxas anuais de cada linha e compare o total com o que você imaginava pagar.

Esse exercício não exige software nem consultoria. Exige uma tarde. E costuma mudar a conversa que você tem
com quem cuida dos seus investimentos.

Este conteúdo é educacional e não constitui recomendação de investimento, oferta ou análise de valores mobiliários.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento, oferta, análise ou consultoria de valores mobiliários. Todo investimento envolve risco e rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Na forma da legislação da CVM, o Assessor de Investimento não pode administrar ou gerir o patrimônio de investidores.

Seu patrimônio está em quantas instituições?

Organizar o que já existe é a etapa 02 do nosso processo, e ela começa por uma conversa.